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Mostrando postagens de 2013

Pausa breve na série e no blog

Oi, pessoinhas !!! Vou dar um tempo nas redes sociais, porque preciso me concentrar e terminar alguns projetos particulares - está difícil manter o foco. O Devaneios em Série vai dar uma paradinha por pouco tempo, enquanto isso revejam os capítulos já publicados. Estou tentando criar algo mais denso, pois uma nova temporada está para chegar. Se quiserem entrar em contato, podem utilizar e-mail ou deixar recado no Face mesmo, pois serei notificada por e-mail. Demorarei a comentar nos blogs parceiros, mas assim que voltar dou um alô!  Até logo e que a força esteja com vocês! ( ahauhaua)

Várias Facetas, Várias Vidas - Interlúdio

O leitor a esta altura deve estar imaginando onde vão parar estas narrativas em primeira pessoa. Afinal, tudo se encaminhará para um final típico de novela, de filme de terror, de HQ, ou de quê? E o que o Vander faz aparecendo nesta altura da história? As histórias todas vão se entrelaçar? Ficarão pontas soltas no enredo? A história toda descamba para lugares comuns, ou agora é que a coisa vai esquentar? Não percam as próximas cenas. 

Várias Facetas, Várias Vidas - 7ª Parte, Capítulo 4

VANDER Droga, eu sei, eu sei que não foi a melhor coisa deixar de visitar meu camarada, meu antigo colega de banda. Mas eu não tinha mais paciência!  Caramba, a vida anda, eu sei que foi duro para ele perder sua mão,logo ele que tocava guitarra bem prá caramba, sei que ele se sente complexado por ter ficado com algumas cicatrizes no rosto, mas poxa! Ele precisa superar, e minhas visitas não estavam ajudando em nada!  Porque, cara,não adianta, por mais que você queira ajudar uma pessoa, ela precisa se ajudar também, e o Victor escolheu ficar preso nas lembranças do passado e afogar a dor de não estar mais tocando em noitadas desregradas, ecstasy e vida errante. Não dá, simplesmente não dá.  Tentei compreendê-lo, tentei incentivá-lo a sair comigo algumas vezes. Aquele apartamento minúsculo, com cantos empoeirados, fala sério, ver a caixa de som e a guita dentro do estojo, vê-lo sempre prostrado, meio dormindo por causa das noites em claro e lamentando o fim d...

Várias Facetas, Várias Vidas - 7ª Parte, Capítulo 03

SUZANA A bendita barraca só tem suco sabor uva. Mas se quero voltar ao trabalho sem atrasos é o que vai ser. O sanduíche vai dar para enganar o estômago até a hora do café. De repente ouço: -Suzana, o que houve? Fiquei super preocupada!  Se bem que a culpa é minha, eu deveria ter pego o número de seu celular.  É verdade. Eu pensei a mesma coisa, e digo isso para ela.  Ana também compra um sanduíche, e enquanto terminamos nosso micro-almoço conto a ela  a experiência que tive ao amparar o rapaz desconhecido. Enquanto conto a história toda, tenho a impressão de que não aconteceu de fato comigo. Como se outra pessoa houvesse tomado o meu lugar e tido atitudes que eu não teria.    Ou será o contrário? E se eu fiquei escondida de mim mesma durante tanto tempo e hoje é que o eu verdadeiro começou a se revelar?   A imagem daquele moço aflito passou a tarde em minha cabeça. Enquanto pedalo para casa, passo em frente  à escadaria ...

Várias Facetas, Várias Vidas - 7ª Parte, Capítulo 2

VICTOR   Acordo cedo, depois de uma noite em que inacreditavelmente não fui à uma rave. Não sei por que, pela primeira vez em cinco anos, desde que saí daquela droga de hospital, não senti vontade de sair. Não dei o tapa no baseado, não procurei o ecstasy. Estou limpo há dois dias.  Minha cabeça dói, talvez pela abstinência. Talvez por ter comido mal ontem. Talvez porque eu mereça que ela doa o resto da minha vida, para não esquecer o porque de eu estar como estou hoje.  Pego uma roupa que acho mais ou menos limpa, e resolvo sair, como sempre, para sentar nas escadarias e ver o mundo passar. Ver as pessoas ocupadas, indo para seus trabalhos, algumas sorrindo, algumas reclamando da vida. Enquanto me visto, olho de soslaio para a guita. Cinco anos sem ser tocada... eu deveria ter vendido, teria ajudado a custear o tempo naquele bendito hospital. Mas parte de mim tinha pena, por ser minha companheira constante. Além de uma pequena esperança de poder tocar pelo menos...

Várias Facetas, Várias Vidas - 7ª Parte, Capítulo 01

ANA     Argh, que agonia! Não consigo ficar aqui, tenho de ver se a Suzana está bem. O que afinal aquela guria inventou de fazer? Se eu estiver perdendo o almoço por conta de algum namoradinho,  ela vai ver!   Ah... o que estou dizendo? Suzana não é desse tipo. Algo diferente deve ter acontecido. Bolas, tenho de sair daqui!    Pego minha bolsa e me mando, depois como um lanche qualquer. Preciso ver afinal o que houve. Olho na direção em que vi Suzana com a tal pessoa, que não deu para saber se era homem ou mulher, mas não vejo nada. Onde ela estará? Pela segunda vez em menos de uma hora maldigo o fato de não ter pego o número do celular dessa moça.  Quando já penso em correr para o alto da rua, vejo uma figura familiar terminando de saborear um suco de caixinha. Suzana! Corro para onde ela está: -Suzana, o que houve? Fiquei super preocupada!  Se bem que a culpa é minha, eu deveria ter pego o número de seu celular - Eu...

Atraso

Pela primeira vez desde o início deste blog, precisarei atrasar o capítulo, que devido a uma semana conturbada, não foi finalizado. Amanhã postarei o início da 7ª parte da série Várias Facetas, Várias Vidas. Até amanhã!!!

Várias Facetas, Várias Vidas - 6ª Parte, Capítulo 3

SUZANA ... seus olhos, meio escondidos ainda sob o cabelo que chega até os ombros, fitam os meus por uns instantes.  Aiaiai... será que fiz bem em tentar falar com ele?  De repente, ele ergue um pouco mais a cabeça:   - Me deixa! Ninguém se importa. Ninguém! - Bem, estou me importando agora.    Mas o que estou fazendo, falando com um desconhecido? O sentimento de ternura, de compaixão, volta. Puxa, um ser humano, chorando sozinho na calçada. Não consigo deixá-lo ali.  - Quer ajuda para levantar? - Não! Eu me viro sozinho, sempre me virei, suma!    Ao gritar desta forma e levantar, vejo seu rosto e tomo um leve choque. Está todo marcado, ele deve ter sofrido um acidente, porém há um bom tempo atrás. São cicatrizes, algumas grandes. Disfarço a surpresa, ele está levantando. Porém, perde o equilíbrio. Coitado, deve estar fraco também! Rapidamente o seguro, ele não é tão pesado assim.  Não consigo de...

Várias Facetas, Várias Vidas - 6ª Parte, Capítulo 02

VICTOR ... E vejo uma jovem, com uma expressão preocupada no rosto.  - Me deixa! Ninguém se importa. Ninguém! - Bem, estou me importando agora.  Meu Deus, ela respondeu. Ela é mesmo real? - Quer ajuda para levantar? - Não! Eu me viro sozinho, sempre me virei, suma!  Levanto rapidamente, porém uma tontura repentina me impede de caminhar. Sinto que me apoiei em algo. É a moça. Ela ainda está aqui. Por que, por que? Por que ela não deixa que eu continue meu sofrimento sozinho? Não preciso de pena. Não preciso. - Vou buscar um copo de água. Caramba, essa criatura se aproximou de mim, não se assustou com minhas cicatrizes...e quer me oferecer água. - Não..deixe que eu... não se... - Você não tá legal, fica aqui que volto já. Me sinto um tanto impotente, a tontura mesclando-se com o espanto.Não deixei apenas de ser invisível, tornei-me audível para alguém. Enquanto tento digerir este dia tão diferente entre a névoa cinzenta que tem sido meus...

Várias Facetas, Várias Vidas - 6ª Parte, Capítulo 01

ANA Suzana está demorando... o que será que houve? Terá desistido, voltado para sua concha? Ou algo a prendeu na recepção? Acho que vou esperar só mais alguns minutos. Idiota que sou. Por que não peguei o número do celular dela? Aliás, vou ligar para a recepção da empresa, ver se ela está lá.  - Já foi atendida? - Oi? Ah, ainda não.. estou esperando uma amiga, logo irei fazer o pedido.  O garçom se afasta. Pego o celular - o mesmo de cinco anos atrás, não consigo me desapegar - e digito o número do escritório. Aguardo a chamada. Do outro lado, ninguém.  Suzana não está no escritório, não vejo sinal dela chegando.. estou começando a ficar preocupada. Resolvo sair para procurar, mas não é mais preciso... acabei de vê-la, vindo pela rua. Mas.. há alguém com ela. E parece não estar muito bem, vejo que ela o/a apoia. Ela me viu, e acaba de fazer um sinal de que não virá almoçar.  Não dá para saber se é um homem, mulher, jovem, idoso... Será algum co...

Várias Facetas, Várias Vidas - 5ª Parte, Capítulo 3

SUZANA        O dia vai se arrastando.. me esforcei, atendi a tal cliente com um sorriso no rosto, fui educada e tal.. mas foi um pouco difícil para mim, vencer velhos hábitos não se faz de uma hora para outra.  Me sinto cansada, mas ao mesmo tempo bem. Lembrei porque estou na empresa, estou a serviço!      Como vou querer melhorar o salário, crescer na vida, se continuar sem ânimo? O chefe deve gostar muito de mim, pois já poderia ter me mandado embora.      As horas passam. Ainda bem que agora, o sr. Geraldo deu uma saidinha.. mas deixou o rabo dele aqui. A tal da Ana, começou um ano depois de mim e virou puxa-saco dele. E agora está querendo se aproximar de mim, o que será que ela quer?      Minha mente é negativa demais, penso eu. Quem sabe, ela não seja bem intencionada. A culpa de eu continuar na recepção é minha, eu que desanimei muito cedo. Até esquec...

Várias Facetas, Várias Vidas - 5ª Parte, Capítulo 02

VICTOR  Tomo um banho, tirando de mim o suor depois do pesadelo. Mas a água não é o bastante para afastar as lembranças. Fecho os olhos e as cenas de cinco anos atrás formam-se novamente. Como gostaria de me livrar disto! Viver nas festas, usar o ecstasy, rolar o baseado... noites inconsequentes... nada, nada diminui a dor, nada adianta! Urro, batendo a mão na parede do banheiro,sentindo a água escorrer em meu corpo marcado. Maldição!!! Por força do hábito, visto qualquer coisa e sento na escadaria de costume. Um dia ensolarado, com pássaros cantando em um parque por aí perto. Já fiquei algumas vezes dividindo minha fatia de pão amanhecido com os pombos. Mas hoje apenas observo. Vander deixou de me visitar a algum tempo, não o culpo – me fechei tanto em mim que não deixei uma porta aberta para que nossa amizade perdurasse A angústia é tão grande.. saio da escadaria, vou andando pela calçada, sem destino. As lágrimas embaçam minha visão. Vejo as pessoas que passam por ...

Várias Facetas, Várias Vidas - 5ª Parte, Capítulo 01

ANA S ete e meia da manhã. O celular, enfim, tocou. Boas novas, enfim! Se eu poderia ir ao setor pessoal e assinar o contrato? Com certeza! Rapidamente me vesti, peguei tudo o que precisava e fui para o exame admissional. De lá, direto para a empresa. Tudo certo, começaria no dia seguinte. A euforia de sentir uma corda saindo de meu pescoço foi tão grande que saí rodopiando do setor pessoal da empresa. Estava um dia lindo, como naquela manhã em que precisei recarregar as baterias. Ainda tinha alguns trocados no bolso. Comprei um sorvete, fui para casa a pé, saboreando lentamente o momento, sentindo o gostinho do chocolate fazendo festa na minha boca. Tudo bem, eu precisaria me prepar para novamente ter horários, obrigações... mas não sabia o porquê, estava muito confiante. Algo dentro de mim dizia que tudo correria muito bem.  …............................................................................................     Cinco anos se passaram. Conti...

Várias Facetas, Várias Vidas - 4ª Parte, Capítulo 3

SUZANA      Hoje está um belo dia de sol. Acordo com meu diário do lado, aberto ainda, mostrando-me como um lembrete – ou ameça? As anotações que fiz ontem, e que ainda ecoam na mente.      Levanto mais cedo, decidida a encarar o dia de outra forma. Pego meu crachá e tomo o café da manhã tranquilamente, antes que minha mãe acorde e comece sua infindável ladainha de queixas contra o mundo todo.     Termino meu café, minha mãe levanta e me despeço dela com um beijo, coisa que não faço há tempo. Apesar dos pesares, é minha mãe e devo a vida a ela. Pego a bicicleta e saio apreciando o caminho, em vez de ir sonolenta e reclamando.    Cumprimento a todos no trabalho, ligo o computador e vejo o que ficou pendente. Vou tentar ver o lado bom das coisas hoje, pois preciso descobrir se estou mesmo cansada deste trabalho ou se é apenas uma fase negativa.  A imagem de meu diário ainda está em minh...

Várias Facetas, Várias Vidas - 4ª Parte, Capítulo 2

VICTOR   A plateia grita, pula, canta junto. Eu arrasei também, sei disso! Toco um último riff de guitarra, a bateria conclui o show. O público vai ao delírio!  Estou cansado, porém feliz. Hora de desarmarmos o circo, grito para Eric. “Ok”, ouço de volta. Graaande cara.  Nossa van se coloca em movimento. Vou tocando a guita, usando os fones de ouvido. Eric sorri,exultante. Vander parece um pouco sério. O sol está surgindo, e vejo algo vermelho. Sangue? Um barulho horrível, gritos e gemidos. Cheiro de carne queimando. Dor, gente chorando. Um trecho de música... me sinto caindo... estendo a mão,pedindo ajuda, e paro antes do grito, pois não a encontro. Suor.  De novo esse maldito pesadelo! Mais uma manhã em que acordo revivendo a dor daquele dia. Nem pude me despedir de Eric... meu grande irmão, camarada. Vander veio me visitar ainda no hospital, em uma cadeira de rodas. Sinto dor nos dedos que não existem mais. E de novo, como todas as manhã...

Várias Facetas, Várias Vidas - 4ª Parte, Capítulo 1

ANA   A porta fechou-se atrás de mim e me deparei com um senhor aparentando entre 35 e 40 anos, observando-me através dos óculos abaixados.  Xi, pensei.. cara de poucos amigos.  Mas esta impressão logo se desfez. O senhor levantou-se rapidamente, estendeu a mão e com um largo sorriso cumprimentou-me: - Então, quem tenho  o prazer de conhecer agora? Esse tipo de recepção era um refresco, um oásis em meio a tantas caras fechadas e expressões de enfado que vira nos últimos tempos. Logo lembrei da recepcionista e seu olhar fixo na tela do computador. Que contraste.  - Sou a Ana - Bem vinda então, Ana! Posso dar uma olhadinha no seu currículo? - Claro, aqui está. Atualizei esta semana.  - Que bom, Ana.. quer um chá? Fique à vontade.  Ficar à vontade, com o peso do desemprego sobre os ombros e a expectativa de uma vaga abrindo-se (mesmo o cargo não sendo exatamente meu sonho) parecia um tanto difícil, mas me servi do chá do...

Várias Facetas, Várias Vidas - 3ª Parte, Capítulo 3

SUZANA Pausa para pensar.  Não, esquece a pausa para pensar! Estou cansada de pensar, pensar... não dá para ficar só pensando!  A sério, cansei, caramba.  Vivo uma ilusão há anos, não deixando o relógio da vida continuar seu tique-taque. Parei o tempo para mim, mas o mundo continua girando.  Sinto-me em uma saída de estrada, isso mesmo.  Uma estrada barrenta, que de repente desemboca em uma via de trânsito, sabe aquelas vias de trânsito rápido? Pois é.  Eu sou o carro que fica na beirada, esperando que a rua esteja um pouco segura, tentando avançar mas com medo de pegar o asfalto e bater em alguém que está vindo. Os anos buzinaram várias vezes, mas eu só dei lado e continuei ali, engatada na primeira marcha e nada de pegar a via asfaltada.  Estou escrevendo aqui, no meu diário, com raiva, sim, raiva.  Nostalgia é uma coisa, mas estou me tornando um ser melancólico.  Essa semana não saí com aqueles amigos mai...

Várias Facetas, Várias Vidas - 3ª Parte, Capítulo 2

VICTOR Mais um dia chega, o sol invade o quarto (droga, deixei a janela aberta), sinto o calor em minhas costas. Eu não quero acordar, ontem fiquei em uma festa até tarde.. mas esse brilho do sol me obriga a levantar cedo, pela primeira vez em anos.  Ontem terminei a noite em um apartamento estranho, não lembro direito o rosto da moça.. foi uma aventura casual. Não sinto saudades, não sinto vontade de procurar o rosto dela no meio da multidão da cidade.  Sei que muitas que saíram comigo, foi por pena, ou por estarem tão loucas depois da balada como eu costumo ficar.  Esta ressaca de hoje está diferente... não costumo sentir arrependimento, nem dor, nada. Simplesmente levanto e vou conquistar alguns reais para poder sair de novo à noite. Mas hoje acordei com a consciência doendo. Lampejos da pessoa que já fui. A manhã de setembro, cuja lembrança me esforço tanto para afogar em álcool durante a noite, agora está forte e límpida em minha mente, trazendo de vol...

Várias Facetas, Várias Vidas - 3ª Parte, Capítulo 1

ANA      O dia seguinte à minha inconsequência extraordinária chegara. Levantei-me como sempre, arrastando-me até pia, rosto lavado, café forte, maquiagem e roupa decente,  para colocar de novo o pé na estrada. Suspirei fundo. Cheguei a rezar para meu dia ser diferente, hábito que eu havia quase abandonado.  Ouvindo o barulho de meus passos, fui saindo.Conferindo se tudo estava trancado, mergulhei de novo na cidade.     E em menos de meia hora, lá estava eu, em mais um cubículo na semiescuridão o que deixava a vista cansada, se bem que folhear revistas de fofocas de dois anos atrás(que vi de relance ao entrar)  não era lá um bom modo de querer passar o tempo. Entreguei à recepcionista uma ficha com os dados pessoais, sentei e esperei...     Fiquei analisando o ambiente. A recepcionista agora olhava fixamente para uma tela à sua frente, movimentando o mouse às vezes. Eu poderia ap...

Várias Facetas, Várias Vidas - 2ª Parte, Cap 03

SUZANA Todo dia é a mesma vida. Acordo à mesma hora, tomo o café da manhã sempre do mesmo jeito, vou ao trabalho com minha bicicleta sempre pelo mesmo caminho, almoço no mesmo lugar, volto ao trabalho e escuto as mesmas broncas e piadas há anos. Vou para casa, janto, televisão, jornal, computador com os fones de ouvido,café, dormir para acordar no dia seguinte com a sensação de estar revivendo o dia anterior. Eu sei, estou estagnada. E se escrevo desta forma monótona, é porque minha vida está assim.  Estou pensando em largar aquele grupo de jovens, as baladas não tem mais graça... não tenho mais idade para virar a noite, embora não tenha nem trinta anos ainda. E, definitivamente, o "ficar" nas "baladas" não tem mais nada a ver comigo.  Festas e inconsequência não me preenchem mais.Curto as festas, porém não posso viver de novo a adolescência.  Estou aqui de novo ouvindo música em frente ao computador, com os fones de ou...

Várias Facetas, Várias Vidas 2ª parte, Cap 02

VICTOR A tarde avança, nevoenta. Dia parado. Meu baseado rola entre os dedos, mas hoje estranhamente não chega à minha boca. Me perco, observando o céu cinzento, nos degraus da escadaria de sempre. Um pombo, ressentido pela tarde cinza, deixa-se ficar no peitoril de uma janela igualmente cinza. Tarde modorrenta.... por isso que meus dias se resumem a esperar pela noite. Mesmo o colorido dela, sendo artificial no meu caso.  Sim. Eu sei que fujo da vida, da realidade... mas meus dias são nevoentos, desde aquela manhã de setembro, que acabou com meus sonhos mais caros e deixou minha vida nevoenta e cinza, como esta tarde que continua avançando. É difícil até para mim mesmo expressar como me sinto, há tempos não penso nisso. As pessoas continuam passando sem me notar, mas hoje há menos movimento. Uma chuva fina começa a cair, puxo meu capuz, me escondendo mais ainda da cidade. A noite está chegando.  Mais uma noite para me entregar de corpo ...

Várias Facetas, Várias Vidas - 2 parte, Cap 01

ANA A decisão de não recorrer a meus pais era certa, um retrocesso eu não admitiria. M e smo na condição em que eu estava. Mas era revoltante...faculdade, horas debruçada sobre livros, noites elaborando extensos trabalhos.. apresentação do tcc, defendendo tese; pós-graduação, estágio.. para ser demitida, sem justa causa, depois de cinco anos trabalhando? E pior, o tempo do seguro-desemprego acabando e eu ainda sem conseguir trabalho. Aquele dia, eu havia reservado para não pensar nisso, mas estava difícil. Pior era ver um monte de vagas sendo oferecidas, em jornais, cartazes, outdoors, e ouvir gente dizendo que "só não trabalha quem não quer". Alôoo? Eu sempre QUIS trabalhar! Não tenho culpa se a empresa teve de cortar funcionários e por algum motivo não totalmente revelado - já que eu sempre me dediquei bem ao que fazia - meu nome foi arrolado na lista de funcionários demitidos. Droga. A tarde estava acabando, e mesmo na paz da praça, me via defrontad...

Várias Facetas, Várias Vidas - 1ª Parte, Cap 03

SUZANA O tempo passou.  E eu fiquei.  A triste história de uma criatura que não teve iniciativa.  Suzana, seu segundo nome é inércia.  Maldita manhã de setembro, que me trouxe a nua  e fria verdade, que passei tanto tempo escondendo!  A vida passou, as pessoas que amei partiram, cuidaram cada qual de sua vida, tomaram seus caminhos...  E eu fui ficando. Por pura nostalgia, agarrada ao ideal da juventude, impedindo-me de ser tragada, junto aos de minha idade, pela engrenagem da vida que julgava cruel. Tínhamos planos e sonhos, ideais tão bonitos para a época! Mas sonhos não enchem barriga... Eles casaram, mudaram de emprego, saíram.. até os que pareciam pouco promissores estão felizes,realizados. Eu fiquei, parei no tempo.  Saudades das alegres reuniões e festinhas,cervejas, aniversários, pedaladas, a alegre inconsequência dos finais de semana. O nosso grupo foi se modificando, alguns saíam para fazer suas vidas, outros...

Várias Facetas, Várias Vidas -1ª Parte, Cap.02

VICTOR Os dias passam rápido, nem os noto. Pois minha vida acontece mesmo à noite.  Durante o dia, fico um bom tempo sentado na praça, ou em escadarias, olhando sem ver as pessoas que passam. O ritmo frenético se desenrola, e eu enrolo o baseado.  As pessoas passando pelas ruas não existem para mim, tampouco eu existo para elas. Gosto de ser invisível, quero ser invisível. E espero a noite chegar. É assim há muito tempo, desde aquela manhã de setembro. Desde aquela época eu era o ser da noite. O céu escurecia e finalmente era minha hora. Hora de existir, de me sentir vivo. Danceterias, bares, boates, raves, luzes multicoloridas pouco eficientes em varar a escuridão.  Sentir a música entrando no meu corpo, ditando meus movimentos...me entregava completamente às sensações. Eu era, e ainda sou o movimento.Outras pessoas perto de mim,uma comunhão de sentidos, realçadas pelos drinks noite afora. Ah, e o ecstasy.  Mesmo acordando com um gosto a...

Iniciando o blog + 1º Capítulo de Várias Facetas, Várias Vidas

Olá! Enquanto escrevia a sé rie virtual "Vár ias Facetas, Várias Vidas", note i algu ns comentários semelhantes nas postagens, dando conta que os leitores tinham certa dificuldade em acompanhar a história desde o in ício.  Então, res olvi, depois de um tempo , criar est e espaço e direcionar as postagens da sé rie para cá. Além disso, este espaço servirá para postar futuras séries .  Enfim, é só!  Fi quem co m o p rimeiro ca pítulo, para abrir o blog!    ANA Acordei assustada naquela manhã de setembro. Nove horas! Estava atrasada. Peraí, atrasada para que? Eu estava desempregada há quatro meses!  Desanimada (por que não consigo logo um emprego?), fui fazer um café. Olhei a janela: lá fora se via o alegre movimento das borboletas sobre as flores amarelas. Depois do café, forçosamente, eu teria de ir às ruas, bater de escritório em escritório, com meu currículo na mão(depois de mandar vários outros por e-mail), receber vários nãos, ...