Várias Facetas, Várias Vidas - 7ª Parte, Capítulo 4


VANDER


Droga, eu sei, eu sei que não foi a melhor coisa deixar de visitar meu camarada, meu antigo colega de banda. Mas eu não tinha mais paciência! 
Caramba, a vida anda, eu sei que foi duro para ele perder sua mão,logo ele que tocava guitarra bem prá caramba, sei que ele se sente complexado por ter ficado com algumas cicatrizes no rosto, mas poxa! Ele precisa superar, e minhas visitas não estavam ajudando em nada! 
Porque, cara,não adianta, por mais que você queira ajudar uma pessoa, ela precisa se ajudar também, e o Victor escolheu ficar preso nas lembranças do passado e afogar a dor de não estar mais tocando em noitadas desregradas, ecstasy e vida errante. Não dá, simplesmente não dá. 
Tentei compreendê-lo, tentei incentivá-lo a sair comigo algumas vezes. Aquele apartamento minúsculo, com cantos empoeirados, fala sério, ver a caixa de som e a guita dentro do estojo, vê-lo sempre prostrado, meio dormindo por causa das noites em claro e lamentando o fim da banda, me agoniava demais! 
Não sou insensível, não sou egoísta. Até me sinto mal, por ter sido o único de nós três que saiu sem grandes sequelas e simplesmente tocou a vida.
Victor me acusou de não ter amor o suficiente pela banda. Caraca, eu adorava o que fazia! Mas a vida segue, pombas. Até hoje sonho com o Eric, era meu melhor amigo, meu mano, sério. 
Meu jeito de lidar com a dor foi diferente, muitos ao redor não entenderam. Eu simplesmente não vivi a fase de luto: saí do hospital e quando pude deixar a cadeira de rodas e usar uma muleta ( em menos de seis meses estava novo em folha), procurei logo um emprego e mergulhei no trabalho. Não deixei que minha mente ficasse ociosa, não quis ficar remoendo como o Victor. A vida segue, a vida segue. 
Mesmo assim, quero voltar a visitar o Victor. Fazer uma tentativa, ainda. Caramba, sério, ele precisa se reerguer, sei que não dá mais para ele tocar a guitarra, mas será que não dá para ele mostrar seu potencial em alguma outra coisa voltada à música. 
Mentira que não sinto pelo fim da banda, que não me entristeço com o acidente que aconteceu naquela horrível manhã de setembro, sinto bastante, choro às vezes, mas enfim, a vida tem que continuar. A do Victor também, mesmo ele não querendo. 
Ai, caceta....


Próximo Capítulo: 08/10

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