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Várias Facetas, Várias Vidas - 10ª Parte, Capítulo 04

VANDER      Enquanto aceno para um táxi, vejo de soslaio a tal moça ir embora e Victor com uma expressão que nunca vi antes. Algo o perturba, mas o que será? O táxi para, estendo uma nota de vinte reais e dou o endereço ao motorista. Enquanto o carro toma velocidade, observo pela janela a paisagem. Sempre gostei de relaxar vendo como as árvores, prédios, carros, parecem correr e se precipitar quando estou em movimento, como agora. O taxista liga o rádio do carro: " Se importa?", "não", digo, pois é verdade. Não me importo mesmo.  Metros, quilômetros são vencidos e a emissora de rádio vai alternando notícias, piadas e músicas. Estou cansado, só quero chegar em casa, por isso nem converso com o motorista. De repente, a música no rádio para e entra um plantão de notícias.  " Um grave acidente"...  Aff, todos os dias acontecem acidentes. Eu mesmo sofri um!  "tirou a vida do conhecido empresário"...  Humpf.  "Geraldo Martins...

Várias Facetas, Várias Vidas - 9ª Parte, Capítulo 4

VANDER Dias passam, horas se estendem, e mais uma semana se foi. Sexta-feira! Afrouxo o nó da gravata (ridículo ter de usar gravata e camiseta nesse calor) e vou me despedindo do pessoal do trabalho.  Falar em trabalho, me lembra os piercings que eu tive de tirar por conta do preconceito besta que ainda impera, como se um brinco definisse o que eu sou ou minha capacidade. As tatuagens, não tirei, é complicado. Mas como tenho de trabalhar de mangas compridas, tanto faz, também.  Vou saindo a pé, sem compromisso, já que moro sozinho mesmo e é sexta-feira, que se dane a hora. Enquanto caminho, assobio uma melodia que logo se transforma em uma das músicas que a gente tocava nos nossos shows.. droga! A última música que tocamos antes do acidente.  Rapidamente começo a assobiar outra coisa. Já sepultei esta história e não quero que volte à tona. Comecei outra vida e é assim que vai ser.  Vejo uns bancos em um calçadão, uma espécie de praça. Já passei em fr...

Várias Facetas, Várias Vidas - 8ª Parte, Capítuo 4

VANDER Ainda pensando em Victor, resolvo dar uma saída, já que recebi uma folga do trabalho agora pela tarde. Engraçado alguém que escrevia letras contra a sociedade que enclausura as pessoas na busca por emprego e não dá tempo para viver de boa, filosofando, sendo artista e vivendo sem o jugo do dinheiro, estar há tanto tempo em um emprego formal. Mas enfim,recebi uma folga e vou aproveitá-la.  Me dirijo a uma barraquinha de artesanato e itens alternativos, e na saída vejo uma silhueta familiar. Está de costas, mas não tem como não reconhecer aquele cabelo. Caraca!É bom demais para ser verdade, ele saiu do apartamento! Preciso falar com esse cara! - Ei, Victor!  - Vander? - Cara, é você mesmo!  - E você..não mudou nada.  - Você também nem tanto..cara, Victor, me perdoa, eu sumi!  - Dá nada. Eu também teria sumido se fosse você. Ele compreende por que sumi. Mesmo assim me sinto culpado, éramos muito companheiros nos tempos de banda - ...

Várias Facetas, Várias Vidas - Interlúdio

O leitor a esta altura deve estar imaginando onde vão parar estas narrativas em primeira pessoa. Afinal, tudo se encaminhará para um final típico de novela, de filme de terror, de HQ, ou de quê? E o que o Vander faz aparecendo nesta altura da história? As histórias todas vão se entrelaçar? Ficarão pontas soltas no enredo? A história toda descamba para lugares comuns, ou agora é que a coisa vai esquentar? Não percam as próximas cenas. 

Várias Facetas, Várias Vidas - 7ª Parte, Capítulo 4

VANDER Droga, eu sei, eu sei que não foi a melhor coisa deixar de visitar meu camarada, meu antigo colega de banda. Mas eu não tinha mais paciência!  Caramba, a vida anda, eu sei que foi duro para ele perder sua mão,logo ele que tocava guitarra bem prá caramba, sei que ele se sente complexado por ter ficado com algumas cicatrizes no rosto, mas poxa! Ele precisa superar, e minhas visitas não estavam ajudando em nada!  Porque, cara,não adianta, por mais que você queira ajudar uma pessoa, ela precisa se ajudar também, e o Victor escolheu ficar preso nas lembranças do passado e afogar a dor de não estar mais tocando em noitadas desregradas, ecstasy e vida errante. Não dá, simplesmente não dá.  Tentei compreendê-lo, tentei incentivá-lo a sair comigo algumas vezes. Aquele apartamento minúsculo, com cantos empoeirados, fala sério, ver a caixa de som e a guita dentro do estojo, vê-lo sempre prostrado, meio dormindo por causa das noites em claro e lamentando o fim d...