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Várias Facetas, Várias Vidas - 4ª Parte, Capítulo 3

SUZANA      Hoje está um belo dia de sol. Acordo com meu diário do lado, aberto ainda, mostrando-me como um lembrete – ou ameça? As anotações que fiz ontem, e que ainda ecoam na mente.      Levanto mais cedo, decidida a encarar o dia de outra forma. Pego meu crachá e tomo o café da manhã tranquilamente, antes que minha mãe acorde e comece sua infindável ladainha de queixas contra o mundo todo.     Termino meu café, minha mãe levanta e me despeço dela com um beijo, coisa que não faço há tempo. Apesar dos pesares, é minha mãe e devo a vida a ela. Pego a bicicleta e saio apreciando o caminho, em vez de ir sonolenta e reclamando.    Cumprimento a todos no trabalho, ligo o computador e vejo o que ficou pendente. Vou tentar ver o lado bom das coisas hoje, pois preciso descobrir se estou mesmo cansada deste trabalho ou se é apenas uma fase negativa.  A imagem de meu diário ainda está em minh...

Várias Facetas, Várias Vidas - 4ª Parte, Capítulo 2

VICTOR   A plateia grita, pula, canta junto. Eu arrasei também, sei disso! Toco um último riff de guitarra, a bateria conclui o show. O público vai ao delírio!  Estou cansado, porém feliz. Hora de desarmarmos o circo, grito para Eric. “Ok”, ouço de volta. Graaande cara.  Nossa van se coloca em movimento. Vou tocando a guita, usando os fones de ouvido. Eric sorri,exultante. Vander parece um pouco sério. O sol está surgindo, e vejo algo vermelho. Sangue? Um barulho horrível, gritos e gemidos. Cheiro de carne queimando. Dor, gente chorando. Um trecho de música... me sinto caindo... estendo a mão,pedindo ajuda, e paro antes do grito, pois não a encontro. Suor.  De novo esse maldito pesadelo! Mais uma manhã em que acordo revivendo a dor daquele dia. Nem pude me despedir de Eric... meu grande irmão, camarada. Vander veio me visitar ainda no hospital, em uma cadeira de rodas. Sinto dor nos dedos que não existem mais. E de novo, como todas as manhã...

Várias Facetas, Várias Vidas - 4ª Parte, Capítulo 1

ANA   A porta fechou-se atrás de mim e me deparei com um senhor aparentando entre 35 e 40 anos, observando-me através dos óculos abaixados.  Xi, pensei.. cara de poucos amigos.  Mas esta impressão logo se desfez. O senhor levantou-se rapidamente, estendeu a mão e com um largo sorriso cumprimentou-me: - Então, quem tenho  o prazer de conhecer agora? Esse tipo de recepção era um refresco, um oásis em meio a tantas caras fechadas e expressões de enfado que vira nos últimos tempos. Logo lembrei da recepcionista e seu olhar fixo na tela do computador. Que contraste.  - Sou a Ana - Bem vinda então, Ana! Posso dar uma olhadinha no seu currículo? - Claro, aqui está. Atualizei esta semana.  - Que bom, Ana.. quer um chá? Fique à vontade.  Ficar à vontade, com o peso do desemprego sobre os ombros e a expectativa de uma vaga abrindo-se (mesmo o cargo não sendo exatamente meu sonho) parecia um tanto difícil, mas me servi do chá do...