Várias Facetas, Várias Vidas - 6ª Parte, Capítulo 02
VICTOR
... E vejo uma jovem, com uma expressão preocupada no rosto.
- Me deixa! Ninguém se importa. Ninguém!
- Bem, estou me importando agora.
Meu Deus, ela respondeu. Ela é mesmo real?
- Quer ajuda para levantar?
- Não! Eu me viro sozinho, sempre me virei, suma!
Levanto rapidamente, porém uma tontura repentina me impede de caminhar. Sinto que me apoiei em algo. É a moça. Ela ainda está aqui. Por que, por que? Por que ela não deixa que eu continue meu sofrimento sozinho? Não preciso de pena. Não preciso.
- Vou buscar um copo de água.
Caramba, essa criatura se aproximou de mim, não se assustou com minhas cicatrizes...e quer me oferecer água.
- Não..deixe que eu... não se...
- Você não tá legal, fica aqui que volto já.
Me sinto um tanto impotente, a tontura mesclando-se com o espanto.Não deixei apenas de ser invisível, tornei-me audível para alguém. Enquanto tento digerir este dia tão diferente entre a névoa cinzenta que tem sido meus últimos anos, lembro que esta pessoa só pode ser real, afinal hoje estou limpo.
- Tome a água pelo menos.
- Obrigado.
Assusto-me com o som da minha própria voz. Há quanto tempo não falo com ninguém fora das casas noturnas? Não lembro. Alguma coisa na voz dessa moça me deixa um pouco mais tranquilo.
- Consegue levantar?
- Sim..sim. Quero ir para casa.
Levanto, mas novamente fico tonto. Quem manda ficar sem comer nada? A tal moça me segura, e quando dou por mim estou caminhando apoiado nela.
- Para onde quer ir?
- Lá.. lá naquela escadaria, subo por lá para ir ao meu apartamento.
- Quer comer alguma coisa?
Caraca, o que está havendo? Não é possível que isto esteja acontecendo.
- Vou.. vou comer algo lá em casa
Receber contato humano de alguém com pena de mim não é novidade, isso acontece direto nas baladas. Mas na rua, desse jeito, foi diferente. A moça mostra uma preocupação genuína.
Infelizmente ela foi se preocupar logo com um ser como eu, que não tem objetivos na vida a não ser dormir, dançar a noite toda embalado pelo ecstasy e bebidas e dar tapas em baseados durante o dia.
- Espero que melhores logo e que fiques bem. Preciso voltar ao trabalho agora. Tchau.. e sei que talvez não importe para você.. sou Suzana.
- Victor. Tudo bem, pode voltar ao trabalho. Vou ficar bem.
- Espero que sim.
Antes de se virar, despede-se com um sorriso. Um sorriso! Isto está realmente acontecendo?
Entro no apartamento e fecho a porta rapidamente,para deixar os acontecimentos estranhos deste dia lá fora. Dessa vez não foi devaneio, essa situação aconteceu de verdade. E pela primeira vez em cinco anos, deixei alguém conversar comigo e me mostrei frágil.
Será que essa impressão também se apagará, como outras que se diluíram na fumaça do baseado?
- Vou buscar um copo de água.
Caramba, essa criatura se aproximou de mim, não se assustou com minhas cicatrizes...e quer me oferecer água.
- Não..deixe que eu... não se...
- Você não tá legal, fica aqui que volto já.
Me sinto um tanto impotente, a tontura mesclando-se com o espanto.Não deixei apenas de ser invisível, tornei-me audível para alguém. Enquanto tento digerir este dia tão diferente entre a névoa cinzenta que tem sido meus últimos anos, lembro que esta pessoa só pode ser real, afinal hoje estou limpo.
- Tome a água pelo menos.
- Obrigado.
Assusto-me com o som da minha própria voz. Há quanto tempo não falo com ninguém fora das casas noturnas? Não lembro. Alguma coisa na voz dessa moça me deixa um pouco mais tranquilo.
- Consegue levantar?
- Sim..sim. Quero ir para casa.
Levanto, mas novamente fico tonto. Quem manda ficar sem comer nada? A tal moça me segura, e quando dou por mim estou caminhando apoiado nela.
- Para onde quer ir?
- Lá.. lá naquela escadaria, subo por lá para ir ao meu apartamento.
- Quer comer alguma coisa?
Caraca, o que está havendo? Não é possível que isto esteja acontecendo.
- Vou.. vou comer algo lá em casa
Receber contato humano de alguém com pena de mim não é novidade, isso acontece direto nas baladas. Mas na rua, desse jeito, foi diferente. A moça mostra uma preocupação genuína.
Infelizmente ela foi se preocupar logo com um ser como eu, que não tem objetivos na vida a não ser dormir, dançar a noite toda embalado pelo ecstasy e bebidas e dar tapas em baseados durante o dia.
- Espero que melhores logo e que fiques bem. Preciso voltar ao trabalho agora. Tchau.. e sei que talvez não importe para você.. sou Suzana.
- Victor. Tudo bem, pode voltar ao trabalho. Vou ficar bem.
- Espero que sim.
Antes de se virar, despede-se com um sorriso. Um sorriso! Isto está realmente acontecendo?
Entro no apartamento e fecho a porta rapidamente,para deixar os acontecimentos estranhos deste dia lá fora. Dessa vez não foi devaneio, essa situação aconteceu de verdade. E pela primeira vez em cinco anos, deixei alguém conversar comigo e me mostrei frágil.
Será que essa impressão também se apagará, como outras que se diluíram na fumaça do baseado?
próximo capítulo: 03/09
Comentários
Postar um comentário
Manda!