Várias Facetas, Várias Vidas 2ª parte, Cap 02
VICTOR
A tarde avança, nevoenta. Dia parado. Meu baseado rola entre os dedos, mas hoje estranhamente não chega à minha boca.
Me
perco, observando o céu cinzento, nos degraus da escadaria de sempre.
Um pombo, ressentido pela tarde cinza, deixa-se ficar no peitoril de uma
janela igualmente cinza. Tarde modorrenta.... por isso que meus dias se
resumem a esperar pela noite. Mesmo o colorido dela, sendo artificial
no meu caso.
Sim. Eu sei que fujo da vida, da
realidade... mas meus dias são nevoentos, desde aquela manhã de
setembro, que acabou com meus sonhos mais caros e deixou minha vida
nevoenta e cinza, como esta tarde que continua avançando. É difícil até
para mim mesmo expressar como me sinto, há tempos não penso nisso.
As pessoas continuam passando sem me
notar, mas hoje há menos movimento. Uma chuva fina começa a cair, puxo
meu capuz, me escondendo mais ainda da cidade. A noite está chegando.
Mais uma noite para me entregar de corpo
e alma às baladas, sem compromisso, sem amanhã. E sem entusiasmo, dessa
vez. Mas preciso disso para me sentir vivo.
Continuo
me sentindo feliz na noite, nas boates, na bebida para afogar a a dor
que ainda pulsa dentro de mim. Mas os dias têm me trazido a dura
realidade, meu mundo de fantasia não está sendo suficiente. Não consigo
afogar de vez a dor que ainda tenta me acordar, e não sei se algum dia
vou conseguir.
Olá, querida Mari
ResponderExcluirInteressante ver o pensamento de um dependente... não só dos químicos... mas de todos os tipos de um modo em geral...
Gostando de acompanhar a série inciada... tem sentido e é leve de se ler...
Parabéns!!!
Bjm fraterno